NOVIDADE

Em foco: a Gestão do Conhecimento

11

Nov

2013


Por Leidiane Vieira
E-mail: leidianev.reis@gmail.com

 

O compartilhamento interno de informações é uma poderosa ferramenta para que organizações sociais das mais diversas categorias sejam bem-sucedidas em inúmeros âmbitos. Para que este compartilhamento aconteça, é necessário que todos os membros da equipe estejam conectados uns aos outros. Além disto, estes atores precisam dialogar sobre o conhecimento que cada um possui. Ao criar um ambiente onde é possível estabelecer esse contato, as organizações podem incentivar a produção contínua de novos conhecimentos.


No esporte, a constituição de um espaço assim formulado é de suma importância para que se alcancem os objetivos traçados. Isso porque, a prática esportiva envolve inúmeras áreas do conhecimento humano. Quando nos referimos ao esporte de elite, fazemos menção a uma série de áreas que precisam ser ativadas para que ele exista. Desde os profissionais envolvidos na preparação do atleta até as pessoas que atuam no planejamento e construção das instalações esportivas, passando por uma série de outros sujeitos que participam do processo, o esporte envolve uma imensa quantidade de equipes multidisciplinares.


Para que novos conhecimentos sejam construídos, a partir destes diversos segmentos, é necessário que ocorra uma gestão eficiente dos saberes existentes, inicialmente, de maneira isolada. A proposta da Gestão do Conhecimento deve ser possibilitar que estas equipes dialoguem para formar novos conhecimentos. Faz-se necessário incentivar o compartilhamento de ideias entre os membros das organizações. Por isso, é importante que exista um profissional responsável pela gestão destas redes de conhecimento. As pessoas precisam ser estimuladas a participarem dos processos decisórios e a compartilharem dados. A meta deve ser possibilitar a globalização destes conhecimentos por toda a organização.


É importante destacar que não basta estas informações serem repassadas de um setor para o outro, é necessário que elas sejam assimiladas e compreendidas. Fazendo referência a Nonaka e Takeuchi (1997), Fábio Gomes da Silva (2005) apresenta a conversão do conhecimento em quatro etapas: "socialização, externalização, combinação e internalização. Na socialização, as pessoas conversam e repassam informações umas às outras (...). Já na externalização, o conhecimento tácito recebido, é transformado em conhecimento explícito. Na terceira etapa, existe a combinação, onde os conhecimentos explícitos externalizados são comparados com outros conhecimentos explícitos já existentes sobre o assunto abordado (...). Finalmente, o novo conhecimento explícito gerado pela combinação, volta a ser tácito, através do processo de internalização, o qual promove a certeza de que a pessoa que recebeu os novos conhecimentos, realmente aprendeu."


Desta forma, como define Adroaldo Rosseti (2008) e sua equipe, "do ponto de vista operacional, pode-se dizer que a Gestão do Conhecimento consiste em combinar o saber (explícito) e o saber fazer (tácito) nos processos, nos produtos e na organização, para a criação de valor." O conhecimento tácito é pessoal, informal e experimental; já o conhecimento explícito é documentado, objetivo e baseado em fórmulas científicas.


Para que aconteça a efetiva construção do conhecimento, o ciclo das etapas que envolvem essa constituição tem de ser completado, do contrário, o que existe é apenas a gestão da informação. Como defende o pesquisador Alexandre Shigunov Neto (2011), "a transformação do dado em informação ocorre pela percepção, ou seja, com a importância que esse dado possui para a pessoa. Já o processo de transformação da informação em conhecimento ocorre pela aprendizagem." Neste sentido, a construção do conhecimento só é possível à partir da informação gerada, mas não se limita neste ponto. Fazendo referência á Wiig (1993) o autor descreve a Gestão do Conhecimento como "a construção sistemática, explícita e intencional do conhecimento e sua aplicação para maximizar a eficiência e o retorno sobre os ativos do conhecimento da organização."


As equipes têm de trabalhar em rede, de forma que sejam organizadas e mantidas colaborações eficientes. Conforme descreve, Adroaldo Rosseti (2008) em parceria com outros pesquisadores, "hoje, novas formas de colaboração em massa sugerem que as organizações podem obter maior êxito com uma abordagem mais auto-organizada com a formação de equipes, trabalhando em rede." O autor ainda afirma que "o trabalho em equipe está relacionado com os modos de explorar a base de conhecimento da organização e de se desenvolver estrategicamente como uma ‘organização que aprende'."


Convém ressaltar também que a Gestão do Conhecimento pressupõe uma relação horizontal entre os membros das equipes, ou seja, todos os colaboradores são considerados importantes e têm o direito de participarem de todo o processo. A proposta do portal GestaoEsporte.com é estabelecer um ambiente cujo foco é a Gestão do Conhecimento sobre o esporte. Procuramos colocar em prática esse conceito, tanto na forma como abordamos temáticas relacionadas ao esporte, como também na relação que estabelecemos com nossos leitores.


Nosso objetivo é propor reflexões sobre a prática esportiva a partir da junção de diversas áreas do conhecimento. Procuramos evidenciar como o esporte é perpassado por inúmeros fatores que muitas vezes são negligenciados. Acreditamos que a gestão eficiente do conhecimento é fundamental para que as organizações esportivas conquistem maior êxito em suas atuações. Convidamos você, caro leitor, a embarcar nessa idéia. Sua contribuição será sempre bem-vinda em nosso portal.

 


Referências bibliográficas e sugestões para aprofundamento

 

SILVA, Fábio Gomes da; HARTMAN, Adriane; REIS, Dálcio Roberto dos; CARVALHO, Hélio Gomes de. "A promoção da inovação tecnológica nas organizações através da gestão do conhecimento: um estudo de caso na indústria de embalagens." In: XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005.

 

NETO, Alexandre Shigunov. A importância da gestão do conhecimento para o desenvolvimento organizacional: discussões preliminares. In: Qualit@s Revista Eletrônica ISSN 1677 4280 Vol.1. N°1 (2011).

 

ROSSETI, Adroaldo, PACHECO, Ana Paula Reusing; SALLES, Bertholo; GARCIA, Marcos; SANTOS, Neri. A organização baseada no conhecimento: novas estruturas, estratégias e redes de relacionamento. In: Ci. Inf., Brasília, v. 37, n. 1, p. 61-72, jan./abr. 2008.

 


COMENTE ESSA NOVIDADE
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
A Gestão do Esporte na Fábrica de Atletas
A Gestão do Esporte na Fábrica de Atletas
O caminho até os Jogos Olímpicos: considerações sobre legados esportivos
O caminho até os Jogos Olímpicos: considerações sobre legados esportivos
Aspectos do Comportamento Motor: por que o gestor deve estar atento a isto?
Aspectos do Comportamento Motor: por que o gestor deve estar atento a isto?
A questão estrutural que envolve a relação entre as entidades esportivas
A questão estrutural que envolve a relação entre as entidades esportivas
GALERIA

Conheça os Profissionais GestãoEsporte.com

PUBLICAÇÕES
publicado em 29 de junho de 2014
Vol. 4, No 1 (2014) Revista Intercontinental de Gestão Desportiva<< Leia mais >>
publicado em 21 de maio de 2014
Vol. 4 (2014) Suplemento 1: I Congresso Internacional de Responsabilidad Social y Corporativa y Gestión Deportiva<< Leia mais >>
publicado em 23 de janeiro de 2014
Vol. 3 (2013) Suplemento 2: XIV Congresso APOGESD - Da Liderança à Inovação: O Papel do Gestor Desportivo<< Leia mais >>
publicado em 23 de janeiro de 2014
Vol. 3 (2013) Suplemento 1: V Cong. Brasileiro sobre Gestão do Esporte - Gestão do Esporte no Brasil: Vicissitudes, Limites e Formação<< Leia mais >>
Gestão Esporte :: O seu ambiente virtual para discussões esportivas :: Juiz de Fora - MG

(32) 9801-0111

(32) 8707-6229